A
FILA DA VIDA
Pode parecer um paradoxo, mas quem se arrisca em esportes radicais quase
sempre dá muito valor à vida. Justamente por isso, ao desafiarem
seus próprios limites, colocam em jogo o que lhes é mais
valoroso.
No automobilismo, mesmo com todos os aparatos de segurança a que
chamamos de célula de sobrevivência, estão todos sujeitos
a escoriações graves e até mesmo à morte.
No entanto, com a presença das UTI móveis nas pistas e a
facilidade de transporte para um hospital, a expectativa de sobrevivência
e recuperação sem seqüelas em um acidente de corrida
é muitas vezes superior a um acidente de trânsito.
Mesmo com todo esse aparato, no caso de uma lesão em órgão
vital, a vítima se defrontará com uma séria situação:
a necessidade de um transplante de órgão.
No dia 9 de março passado, pela primeira vez, foi comemorado o
Dia Mundial do Rim, como parte de uma campanha que esclarece sobre doação
não só deste órgão, mas de tudo que possa
vir a salvar uma vida. Córneas, pulmões, ossos e até
mesmo pele fazem parte da lista de órgãos que podem ser
transplantados.
A campanha divulga a importância de encararmos a doação
de órgãos como um ato a favor da vida e não da morte.
Em termos proporcionais a sua população, o Brasil ocupa
a 20ª colocação em número de doadores, atrás
do Chile e da Argentina. Para piorar, no ano de 2005, foi constatada a
queda no número de doações.
A tecnologia para captação dos órgãos está
presente em todos os Estados, mas falta a conscientização
da população a respeito da importância da doação
de órgãos e do grande benefício que traz para a sociedade.
Afinal, órgãos vitais não são vendidos em
lojas nem são fabricados. Só existe transplante se houver
doação.
A Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos
- ABTO (www.abto.org.br) esclarece todos os detalhes e mitos sobre a doação
de órgãos no Brasil.
É importante destacar que só a família pode autorizar
uma doação. Nem testamento, nem RG, nada tem validade perante
a lei. Por outro lado, a família não pode indicar para quem
vai o órgão. Isso é feito pelo Ministério
da Saúde, que possui vários mecanismos para coibir qualquer
tentativa de tráfico e comércio de órgãos.
Portanto, ajude a incentivar a doação. Você ou alguém
que você ama muito, um dia podem entrar nessa fila.
A seguir, apresentamos uma lista dos mitos mais comuns segundo a ABTO:
1) Se os médicos do setor de emergência souberem
que você é um doador, não vão se esforçar
para salvá-lo?
Se você está doente ou ferido e foi admitido no hospital,
a prioridade número um é salvar a sua vida. A doação
de órgãos somente será considerada após sua
morte e após o consentimento de sua família.
2) Quando você está esperando um transplante, sua
condição financeira ou seu status é tão importante
quanto sua condição médica?
Quando você está na lista de espera por uma doação
de órgão, o que realmente conta é a gravidade de
sua doença, tempo de espera, tipo de sangue e outras informações
médicas importantes.
3) Necessidade de qualquer documento ou registro expressando minha
vontade de ser doador?
Não há necessidade de qualquer documento ou registro, apenas
informe sua família sobre sua vontade de ser doador.
4) Somente corações, fígados e rins podem
ser transplantados?
Órgãos necessários incluem coração,
rins, pâncreas, pulmões, fígado e intestinos. Tecidos
que podem ser doados incluem: córneas, pele, ossos, valvas cardíacas
e tendões.
5) Seu histórico médico acusa que seus órgãos
ou tecidos estão impossibilitados para a doação?
Na ocasião da morte, os profissionais médicos especializados
farão uma revisão de seu histórico médico
para determinar se você pode ou não ser um doador. Com os
recentes avanços na área de transplantes, muito mais pessoas
podem ser doadoras.
6) Você está muito velho para ser um doador?
Pessoas de todas as idades e históricos médicos podem ser
consideradas potenciais doadoras. Sua condição médica
no momento da morte determinará quais órgãos e tecidos
poderão ser doados.
7) A doação dos órgãos desfigura o
corpo e altera sua aparência na urna funerária?
Os órgãos doados são removidos cirurgicamente, numa
operação de rotina, similar a uma cirurgia de vesícula
biliar ou remoção de apêndice. Você poderá
até ter sua urna funeral aberta.
8) Sua religião proíbe a doação de órgãos?
Todas as organizações religiosas aprovam a doação
de órgãos e tecidos e a consideram um ato de caridade.
9) Há um verdadeiro perigo de alguém poder ser drogado e
quando acordar, encontrar-se sem um ou ambos os rins, removidos para ser
utilizado no mercado negro dos transplantes?
Essa história tem sido largamente veiculada pela Internet. Não
há absolutamente qualquer evidência de tal atividade ter
ocorrido. Mesmo soando como verdadeira, essa história não
se baseia na realidade dos transplantes de órgãos.
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