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O Uivo em Busca do Recorde

3788 | 27/04/2009 | Atualizada dia 27/04/2009 14:20:13hs. | 2654 visualizações, incluindo a sua.
 

Recentemente a metrópole de São Paulo bateu seu próprio recorde de congestionamento de veículos em trânsito: mais de duzentos quilômetros! Com certeza a Marginal do Rio Pinheiros contribuiu para esse número caótico, fato bastante comum nos últimos anos.

Mas, essa importante via já foi protagonista de um emocionante evento automobilístico. Supervisionado pela Federação Paulista de Automobilismo, atual Federação de Automobilismo de São Paulo (FASP), homologado pela Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) e promovido pelo Automóvel Clube Paulista (ACP), pelo Jornal da Tarde, pela Pirelli (fornecedora dos pneus para os participantes) e pela Omega (cronometragem oficial), foi disputado o Festival dos Recordes, no dia 11 de novembro de 1970, sábado.

A competição tinha como desafio maior superar os 232,510 km/h, recorde de velocidade do lendário Bird Clemente, estabelecido com um Opala quatro portas 3.769cc, na Rodovia Castelo Branco, em 29/06/1970.

Para tal proeza foi selecionado o trecho da marginal entre as Pontes do Jaguaré e Cidade Universitária, num total de três quilômetros sendo o primeiro para aceleração, o segundo para a cronometragem eletrônica e o terceiro quilômetro para a desaceleração.

Assim, os presidentes Mario Amato (FASP), Ângelo Juliano (ACP), Mauro Salles (CBA), as autoridades esportivas e militares protagonizaram, acima de tudo, para o público estimado em 40.000 pessoas, um desfile dos bólidos mais potentes existentes no Brasil, para a época.

Trinta pilotos, com vinte e oito carros, se inscreveram para a competição.

O resultado final foi oficializado com a velocidade média apurada no percurso ida e volta, para anulação da interferência do vento, atuando em um dos sentidos, e nas ínfimas irregularidades do asfalto.

E foi aí que Camillo Christófaro – sobrinho de Chico Landi-, conhecido como “Lobo do Canindé” conseguiu mais uma vitória incontestável com sua carismática Carretera amarela Chevrolet Corvette 450HP -5.359 cc-, nº18 atingindo a média recorde de 236,737 km/h..

Foi a primeira vez (e única?) que se disputou um festival desta natureza no Brasil, já que as quebras de recordes de velocidade são tentadas por um piloto isoladamente...
As 09h00min horas da manhã deu-se início à competição.

O vento soprava contra o percurso de ida e Camillo iniciou o quilometro oficial com 218 km/h – 5.500 rpm. Ele atingiu seu final após 15.570 segundos, a uma velocidade de 268 km/h – 6.700 rpm. Com o vento a favor, Camillo conseguiu na volta, a velocidade média de 242,261 km/h.

Os irmãos Diniz também participaram. Alcidez Diniz, com o Lamborghini Miura P400, cor abóbora. e preto, encantou o público com o ronco do motor 12 cilindros. Ele teve problemas no câmbio e mesmo assim alcançou 221,266 Km/h na ida e 227,560 Km/h na volta.

A equipe Bino, chefiada por Antônio Greco foi representada pelo respeitado Luiz Pereira Bueno, com um Galaxie equipado com motor Ford norte-americano de 7.000 cc Para aliviarem seu peso, o carro teve a carroceria trocada para fibra na sexta-feira, dando muito trabalho aos seus mecânicos. Mas tudo isso compensou, pois ele atingiu 193,340 km/h na ida e 203,045 km/h na volta, ficando com a terceira melhor marca do dia e primeira entre os carros produzidos pelas montadoras brasileiras.
A quarta melhor marca foi do piloto Eduardo Celidônio (vencedor das 1.000 Milhas de Interlagos em 1966 em parceria com o colega Camillo Christófaro). Patrocinado pelos cigarros Monroe, seu próprio protótipo Protótipo Snob's atingiu a velocidade de 200 km/h na ida. Infelizmente seu motor Corvair de 2.600 cc falhou no segundo percurso. Com isso, nem a ajuda do vento o permitiu atingir mais que 189,773 km/h.

Pilotando um Ferrari Monza, equipada com motor Corvette de 4.500 cc, Luiz Augusto Landi, filho do idolatrado “Seu Chico”, classificou-se em quinto lugar, com a marca final de 192,978 km/h.

A maior surpresa do festival foi Volkswagen de quatro portas, “apelidado de Zé do Caixão”, pilotado pelo jovem estudante Anatole Cirello Júnior,. O carro era de rua, com tapetes, toca-fitas, estepe e até mesmo pára-choques. O motor havia sido preparado pelo Amador Pedro. Seu motor Volkswagen 1.667 cc produziu a inacreditável média de 171,635 km/h, tornando-o vencedor da categoria Esporte Livre, para carros até 2.000 cc..

Ao final do festival, Mauro Salles e Ângelo Juliano elogiaram o comportamento do público e o trabalho de todas as autoridades envolvidas. Como representante mor da CBA, Mauro Salles anunciou que as marcas estabelecidas seriam enviadas à Federação Internacional do Automóvel (FIA), para homologação, e também para todas as entidades filiadas internacionalmente.

Ovacionado pelo público, o “lobo” Camillo Christófaro saiu da Carretera carregado pelos fãs e chorando de emoção desfilou num jipe aberto, mostrando os troféus que recebeu e gritando: - Estes troféus são de vocês que sempre me prestigiaram.

Passada a emoção, Camillo declarou que se tivesse um pouco mais de percurso de aceleração poderia atingir mais de 290 km/h a 7.500 rpm, limite da Carretera.
E completou, - não importa, estou com a vitória.

No fundo íntimo, o que valeu foi derrotar o badalado Lamborghini Miura, creio eu...

Vitória esta, merecida para Camillo Christófaro, piloto-preparador-mecânico e dirigente (foi presidente da APVC – Associação Paulista dos Volantes de Competição e vice-presidente FASP). Talvez ele seja o maior ganhador de títulos brasileiros no automobilismo, pois foi campeão da Mecânica Nacional de 1955 a 1958 e 1960 a 1962, além do vice-campeonato conquistado em 1959 e inúmeras outras vitórias em outras provas de longa duração.

Bird Clemente comenta em seu ótimo livro uma passagem de Camillo em que com seu jeito peculiar (palavra transcrita do livro) e próprio de ser, declara numa reunião com os pilotos, antes de uma corrida: - Hoje, aqui, se eu não perco, ninguém ganha.

Camillo faleceu no dia 20 de agosto de 1995, aos 67 anos de idade.

Abaixo segue os detalhes e resultados e fotos do Festival dos Recordes:

 

CAMILLO

ALCIDES

LUIZ

CELIDÔNIO

Segundos

Média (km/h)

Segundos

Média (km/h)

Segundos

Média (km/h)

Segundos

Média (km/h)

IDA

15,570

231,213

16,270

221,266

18,620

193,340

18,000

200,000

VOLTA

14,860

242,261

15,820

227,560

17,730

203,045

18,970

189,773

 MÉDIA FINAL 

236,737

 

224,413

 

198,192

 

194,886


Col.

Piloto

Carro Motor

Cm3

Km/h

Vencedor em

Camillo Christófaro

Carretera Chevrolet Corvette

5.359

236,737

Esporte Livre acima de 2.000.

Alcides Diniz

Lamborghini Miura,

3.929

224,413

Carros Importados acima de 2000.

Luiz Pereira Bueno

Gálaxie Ford

7.000

198,192

 

Eduardo Celidônio

Protótipo Snob's-Corvair

2..600

194,886

 

Luiz Augusto Landi

Ferrari Monza Corvette

4.000

192,978

 

Carlos Alberto Sgarbi

Opala  (equipe Valvoline)

4.000

189,074;

Turismo Especial Brasileiro 3.000 a 6.000.

Aldo Pugliesi              

Puma GT        

1.600

177 572

Grã-Turismo até 1.600.

Expedito Marazzi

Protótipo Lorena Volkswagen

1.600

174,900

Esporte Nacional até 2.000.

Antônio Versa,           

Carretera Chevrolet-Corvette

4.500 

174,832

 

10º

Anatole Cirello Júnior

Volkswagen

1.667

171,635

Esporte Livre até 2.000.

11º

Salvatore Amato

Protótipo Ford-Amato

1.600

170,843

 

12º

Stanley Ostrower,

Protótipo Volkswagen-Kinko

1.600

168,564

 

13º

Célio Huggemeyer Júnior

Volkswagen

1.600

150,226

Turismo até 1.600.

14º

Josil José Garcia

Volkswagen

1.600

145,248

 

15º

Luiz Filinto Silva Júnior

Volkswagen

1.600

141,312

 

Camillo Christófaro inscreveu também um Alfa Romeo FNM 2.150 e Antônio Versa,  um Volks 1.200.

Além dos classificados, também participaram os seguintes concorrentes:


Piloto

Carro Motor

Abílio Diniz

Alfa Romeo GTAM

Aldo Pizento

Volks 1300

Anísio Campos

Porsche 1998

Fredy O’Hara

Lorena Stachini 1800

Ignácio Terrana

Chevrolet Impala 4000

Jayme Silva

Protótipo Alfa Romeo

Ledo Barrelar

Porsche 914S

Marinho Antunes

Chevrolet Corvette 4300

Ney Faustini

Opala 2300

Roberto Dal Pont

BMW 2002

Ugo Galina

Alfa Romeo

Waldemar Costa

Puma 2200

Wilson Sapaz Júnior

Volks 1300

Fotos da Revista Auto Esporte e do Jornal Auto Motor

 
 

 
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